sábado, 24 de abril de 2010

Soneto de Londres - Vinícius de Moraes




Que angústia estar sozinho na tristeza
E na prece! que angústia estar sozinho
Imensamente, na inocência! acesa
A noite, em brancas trevas o caminho


Da vida, e a solidão do burburinho
Unindo as almas frias à beleza
Da neve vã; oh, tristemente assim
O sonho, neve pela natureza!


Irremediável, muito irremediável
Tanto como essa torre medieval
Cruel, pura, insensível, inefável


Torre; que angústia estar sozinho! ó alma
Que ideal perfume, que fatal
Torpor te despetala a flor do céu?

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